“As pessoas são mais do que números ou funções dentro de uma organização”, afirma Margareth Goldenberg

Psicóloga e CEO da Goldenberg Diversidade fala sobre o perfil das novas lideranças no mercado corporativo

Notícia 17 de dezembro de 2024

Em um mundo marcado por transformações rápidas e imprevisíveis, o perfil das lideranças precisa se adaptar. A era do líder autocrático, focado apenas em resultados e produtividade, está cedendo espaço para um modelo mais humano, empático e inclusivo que não apenas dirige equipes, mas também as inspira, cultivando ambientes em que todos se sintam valorizados e capazes de contribuir com seu potencial máximo. 

Foi sobre isso que conversamos com Margareth Goldenberg, psicóloga e psicopedagoga que atua como CEO da Goldenberg Diversidade e é gestora-executiva do Movimento Mulher 360. 

Confira a entrevista na íntegra: 

ANBIMA: Quais são as características das novas lideranças, mais humanizadas e inclusivas?  

Margareth Goldenberg: Uma delas é a empatia e a escuta ativa, pois é preciso entender que as pessoas são mais do que números ou funções dentro de uma organização. Essa liderança se preocupa em ouvir, compreender e atender às necessidades emocionais, sociais e profissionais da equipe, viabilizando um ambiente seguro para expressar ideias, desafios e perspectivas. 

Essa pessoa também entende a diversidade como um pilar estratégico: a inclusão vai além de aceitar diferenças; trata-se de celebrá-las e usá-las como fonte de inovação e crescimento. A nova liderança promove a diversidade não apenas como um imperativo ético, mas também como uma vantagem competitiva. Ela reconhece que equipes heterogêneas, compostas por pessoas de diferentes origens, culturas, raças, gênero e gerações, têm maior capacidade de resolver problemas de forma criativa e de se adaptar a mudanças. 

Em um mundo marcado pela transformação digital e pelas constantes mudanças socioeconômicas, o líder humanizado demonstra resiliência e adaptabilidade. Ele é capaz de equilibrar as demandas do negócio com as necessidades humanas, promovendo práticas como o trabalho remoto, horários flexíveis e iniciativas de bem-estar. 

Esse perfil também vê o desenvolvimento de sua equipe como uma prioridade estratégica: investe no crescimento pessoal e profissional de cada pessoa colaboradora, fornecendo feedback construtivo, oportunidades de aprendizado e ferramentas para o autodesenvolvimento. 

No trato com a equipe, é preciso ter, ainda, uma comunicação clara, acolhedora, bidirecional e transparente. Priorizar conversas abertas e respeitosas, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas, equilibrando autoridade com acessibilidade.  

ANBIMA: Qual o impacto deste novo perfil de líder nas organizações? 

Margareth: Empresas que adotam essa abordagem se tornam mais atrativas para talentos, ganham maior lealdade dos colaboradores e fortalecem sua reputação no mercado. 

Organizações lideradas por perfis humanizados e inclusivos também estão mais preparadas para enfrentar desafios globais, como a sustentabilidade e a responsabilidade social. Esses líderes entendem que o sucesso empresarial deve estar alinhado aos valores éticos e ao impacto positivo na sociedade. 

ANBIMA: Quais os principais desafios da transição de liderança? 

Margareth: Tornar-se um líder mais humanizado envolve superar desafios que exigem autoconhecimento, adaptação e transformação.  Enfrentar a cultura organizacional tradicional exige coragem e uma visão clara dos benefícios a longo prazo. Reconhecer e trabalhar vulnerabilidades requer resiliência emocional. 

Equilibrar empatia e resultados, sem renunciar à eficiência e alcance dos objetivos organizacionais, demanda uma abordagem estratégica e flexível, mantendo consistência sob pressão, mesmo quando as circunstâncias são desafiadoras.  

ANBIMA: Como você imagina que será o futuro da liderança corporativa?  

Margareth: Será inegavelmente mais humano. Líderes que abraçam a empatia e a inclusão estarão à frente, guiando não apenas suas empresas, mas também a transformação de toda a sociedade. 

Reconhecer nossa própria humanidade – com todas as dúvidas, medos e vulnerabilidades que ela envolve – não enfraquece a liderança. Pelo contrário, torna-a mais genuína, acessível e eficaz. Quando assumimos nossas imperfeições, abrimos caminho para que os outros também o façam, criando um ambiente em que a confiança e o crescimento coletivo prosperam. 

O compromisso é o alicerce que impulsiona essa transformação. Compromisso com a autenticidade, com o diálogo aberto e com a busca constante por mudanças positivas. Embora a jornada seja desafiadora, ela está repleta de oportunidades.  

Liderar com humanidade significa traçar um caminho onde autenticidade, diversidade, inclusão e colaboração se unem para inaugurar uma nova era de liderança transformadora.